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Preparação para a Copa do Mundo do cinema: O Agente Secreto irá ganhar o Oscar em 2026?

  • Foto do escritor: Fefe Urresti
    Fefe Urresti
  • 31 de dez. de 2025
  • 6 min de leitura

Oi gente, perdão o sumiço.


Este semestre foi bem corrido, tanto de vida pessoal quanto de trabalho (quem acompanha o instagram da Split Academia sabe dos cursos que rolaram e ainda vão rolar no primeiro semestre de 2026, risos), mas eu também senti um pouco de bloqueio criativo para o blog. Durante o semestre vi muitas coisas, mas todas que iriam sair de cartaz em breve e fiquei desmotivada pelo receio de recomendar algo que provavelmente não será passado novamente.


Agora estou de recesso, com mais tempo livre e com recomendações que vocês podem assistir que ainda estão em cartaz! Para encerrar o ano, gostaria de fechar com minha obsessão dos últimos tempos, O Agente Secreto (2025), o filme brasileiro indicado para o Globo de Ouro e na short list do Oscar.


Mas o que é O Agente Secreto?

Se você está completamente por fora do mundo do cinema brasileiro, O Agente Secreto é o mais novo filme direcionado por Kleber Mendonça Filho, conhecido por dirigir Bacurau (2019) e Aquarius (2016). O longa se trata da história de Marcelo (interpretado por Wagner Moura), que retorna a Recife no carnaval de 1977, fugindo do seu passado misterioso.


O trailer do filme, que a este ponto vi muitas vezes

O filme estreou em maio em Cannes, um dos mais importantes e maiores festivais de cinema do mundo, e foi o filme mais premiado da edição de 2025 (Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Diretor para Kleber Mendonça Filho, Prêmio FIPRESCI da crítica e Prix des Cinémas d’Art et Essai, concedido pela Associação Francesa de Cinemas de Arte). Depois disso, O Agente Secreto tem conquistado o mundo do cinema, fechando o ano com 19 prêmios e um montão de indicações, incluindo 2 categorias Critics Choice Awards, 3 categorias do Globo de Ouro, e na shortlist de Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco do Oscar. Objetivamente falando, é hit.


É o filme do ano mesmo?

Antes de falar sobre minhas opiniões sobre o filme, quero voltar para alguns anos antes, quando eu vi um filme do Kleber Mendonça Filho pela primeira vez.


Estava no segundo ano do ensino médio, quando uma de nossas professoras (não lembro se foi Luana de gramática ou Juberlândia de geografia) que recomendou que fossemos assistir Bacurau no cinema. Eu ainda carregava comigo o preconceito histórico de filmes brasileiros, mas meu grupo de amigos ficou empolgado para assistir e colei junto pelo rolê. Foi a primeira vez que vi um filme no Reserva Cultural e não me lembro de ir em um cinema de rua antes. Foram os 131 minutos mais impressionantes da minha vida. Minha percepção sobre o cinema brasileiro foi para sempre transformada. Fiquei obcecada, fui de novo ver no cinema, e depois consegui mostrar para os meus pais em casa (desculpa pela pirataria, já tinha saído de cartaz e era uma questão urgente para mim ver de novo o filme. Hoje em dia o filme está disponível na Netflix). Não assisti de novo desde que entrei na faculdade, mas eu tenho certeza que ele passa no teste do tempo.


Depois disso infelizmente só vi Retratos Fantasmas (2023) da filmografia de Mendonça Filho, que também me impressionou. O documentário sobre a história dos cinemas de Recife é bem interessante, e o diretor traz sua perspectiva única como cinéfilo e filho de uma historiadora. Eu terminei o filme com a vontade de registrar sons e imagens de tudo quanto é lugar que eu frequento aqui em São Paulo e também de algum dia abrir um cinema de rua.


Um outro momento marcante para mim foi na Mostra de Cinema de Tiradentes de 2024, quando rolou a estreia do nosso Pitica e o Sanduíche Perfeito. Kleber Mendonça Filho estava lá, participando de um debate. Infelizmente não consegui ingresso para assistir do auditório, vi um pouquinho da transmissão do lado de fora, não me recordo muito sobre o que foi debatido. Mas no último dia do festival, durante a premiação, ele passou bem do nosso lado. Eu e o queridíssimo Leo da Riva, que também estava lá pelo filme dele Pedrobó, demos muitos pulinhos de alegria. Não encontramos ele na festa de encerramento para os realizadores, mas ficamos fantasiando de sugerir para ele um dia fazer um filme de animação.


Então saltamos para final de 2024, quando vejo o post da Vitrine Filmes, distribuidora de O Agente Secreto, anunciando sobre o filme, que estrearia em 2025. E desde então minhas expectativas ficaram lá nas alturas. Estou acompanhando o filme nas redes sociais o ano todo. Desde o momento que anunciaram que a estreia ficou para um dia antes do meu aniversário, meus planos estavam feitos. Estava eu com meu namorado e minha camiseta de Bacurau, e eu tive uma experiência incrível.


Ao mesmo tempo que as quase 3 horas passaram voando, parecia que eu vivi uma vida inteira com os personagens. É realmente um filme magnífico, do início ao fim. Primeiro a sequência de fotos de celebridades da época, depois a cena de abertura já de cara traz tantas perguntas sobre o personagem do Wagner Moura, você sabe que tem algo de errado. A violência normalizada, o medo da polícia, é quente, é carnaval. Na segunda vez que assisti com os meus pais, minha mãe que nasceu em Belém do Pará na década de 1970, confirmou que várias situações, como do policial pedindo propina para Marcelo, era extremamente comum.


No aspecto mais geral da história e do roteiro, ela é muito bem construída. É um alívio quando um cineasta não tem medo de dar tempo para as coisas, especialmente em tempos em que o cinema tenta competir com o celular e acelerar ainda mais. Os diálogos são ricos e casuais, a exposição é feita de maneira muito sutil e inteligente. Vamos descobrindo as coisas aos poucos, e quando você se dá conta, já está na ponta da cadeira batendo o pé de ansiedade pela vida do protagonista.


Além da violência e o ar pesado da ditadura militar, é muito interessante como o filme também aborda preconceitos contra nordestinos/nortistas e contra a academia e o recurso público. A cena do flashback no restaurante é uma das minhas favoritas do filme. O triste é saber que até hoje tem pessoas ignorantes com as mesmas opiniões de Girotti, com o discurso de (perdão a linguagem vulgar) "estão mamando nas tetas do governo". Foi muito importante o filme e o protagonista se posicionar quanto a isso, sem o recurso público o Brasil não teria um cinema rico.


Falando em cinema, o filme também é uma bela homenagem a história do cinema mundial e do cinema de rua. Enquanto assistia as cenas que se passavam no Cinema São Luiz, a conexão com Retratos Fantasmas se tornava extremamente evidente. Mendonça Filho também consegue ligar o filme Tubarão (1975) com a lenda da perna cabeluda, a qual eu desconhecia mas que agora virei fã. A sequência dela foi um respiro muito divertido e foi muito bem encaixada com a história geral.


O que me pegou mais de surpresa foram as cenas no tempo presente. A primeira vem de maneira abrupta, até que você entende que a história de Marcelo está sendo escutada através de gravações. A princípio eu não tinha gostado tanto do final do filme por ter me parecido mais um tell do que show (mostre, não conte), mas no fim das contas a história da humanidade é frustrante. É assim que a memória também funciona, ela é mais colorida e viva do que as coisas de fato são. E sinceramente, eu cheguei na conclusão que foi melhor assim do que ver o fim trágico do protagonista em tela.


No aspecto técnico, é tudo maravilhoso mesmo. O elenco é impressionante, todos conseguem sustentar o filme. A reconstrução histórica foi muito bem feita, dos figurinos aos cenários aos carros (meu pai só reclamou que os faróis da rua eram de LED, mas acho que era um detalhe mais complicado de arrumar). A fotografia LINDA, o som também é espetacular, fiquei ouvindo um monte a playlist do filme no spotify.


Este foi o filme que mais me marcou em 2025 (e olha que assisti 160 filmes no total este ano, segundo meu Letterboxd) e eu não me canso de falar dele. Me presenteei de natal o livro do roteiro, mas ainda não consegui ler. Eu estou muito na torcida para o Globo de Ouro (que vai ser transimitido pela Globo dia 11 de janeiro!) e que venham muitas indicações ao Oscar, porque merece demais. Não deixe de assistir no cinema!


O que vem por aí em 2026

Já tenho mais ideias pro blog, espero só ter tempo para escrever (risos).


Gostaria de agradecer a você, leitor, leitora, leitore, que acompanhou meu blog este ano para saber sobre minha opinião do audiovisual. Significa bastante. Desejo a todo mundo uma excelente virada e que você consiga assistir/jogar aquela obra que você está ansiose para o lançamento e que você goste. O importante é se divertir!

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